08/02/2010 Ano IV  
 
 
 

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O que é Arte-Educação?
De: Jurema Sampaio

Alguns nomes, expressões, palavras, entram “na moda” e as pessoas saem repetindo sem saber muito bem o que significam. Isso tem acontecido, infelizmente e muito, com os termos arte-educação e arte-educador(a).

 

Criado na década de 80 pela Profª Drª. Ana Mae Barbosa (Indiscutivelmente a maior “autoridade” da área no Brasil e internacionalmente reconhecida pelo seu trabalho) o termo arte-educação designa uma categoria de profissionais, devidamente licenciados em Arte, e o tipo de trabalho que desenvolvem, com base, em geral, na abordagem triangular.

 

Uma enquête informal, recente feita pela Revista Digital Art& mostra que, mesmo dentro da área, as pessoas se confundem. Das 15 pessoas perguntadas sobre o que é ser Arte-Educador, 5 disseram que é “o professor que trabalha com a arte como veículo de aprendizado”, 33% do total, e duas disseram que “é ensinar qualquer disciplina usando a arte como ferramenta”, 13 % do total.

 

Embora, felizmente, a maioria (53%) tenha respondido corretamente (8 pessoas responderam que é preciso ser licenciado em arte para ser arte-educador), 46% de “equívocos” é, no mínimo, curioso.

 

Se você perguntar a qualquer pessoa o que é preciso para ser professor de matemática, por exemplo, certamente a resposta será algo como “ser formado para isso”. A licenciatura em Arte é exatamente isso, a formação do arte-educador.

 

Por quê motivo as pessoas acreditam que para dar aula de arte seria diferente?

 

Desde 1996 a LDB diz que “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (Lei Nº 9394/96, Art. 26 § 2º).  Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1998, deixam bem claro que Arte é DISCIPLINA e, portanto, tem conteúdo específico a ser trabalhado, nas quatro “grandes áreas”: Visuais, Teatro, Dança e Música.

 

O professor “generalista”, defendido pela LDB 5692/71, que era chamado de Professor de Educação Artística (Termo, inclusive, sem validade desde a promulgação da LDB 9394/96, que foi substituído por “Ensino da Arte”) já é mais do que ultrapassado. Reconhece-se legalmente a existência da área de conhecimento, denominada Artes. O Parecer do CEE-SP Nº 103/2005 - CES - Aprovado em 06-4-2005, diz que “A Lei Federal nº 9.394 (LDB), de 20/12/1996 estabeleceu em seu artigo 62, que para atuar na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), a formação mínima necessária a ser exigida deverá ser realizada em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena” e que “[...] seu artigo 5º a citada deliberação estabelecia o prazo até trinta de setembro de 1997 para que fossem feitas as devidas adequações ou transformações necessárias”.

 

As Instituições de nível superior já transformaram os seus cursos de Educação Artística em Cursos de Artes Plásticas e Desenho ou Licenciatura Plena em Desenho e Artes, ou ainda Licenciaturas diversas nas outras três linguagens e já existem profissionais de Ensino de Arte devidamente habilitados e capacitados a mais de 10 anos. Por quê, então, não há o devido entendimento do uso adequado do termo e mesmo do profissional?

 

Escolas ditas “sérias” aboliram a Arte de seus currículos (E isso, lembremos, é contra a lei!), outras contratam “qualquer um” para dar aula de Arte, outras ainda, pior, “completam” a carga horária dos professores das mais diversas disciplina com as aulas de Arte! Que tipo de formação em Arte nossas crianças terão, desta forma?

 

Ensino de Arte é coisa séria, e deve ser feito por profissionais devidamente capacitados e habilitados para isso. Ser Arte-Educador é ser um profissional do Ensino de Arte. Mas nos últimos temos, além dos absurdos que têm sido feitos nas escolas formais de ensino, uma “praga” vem assombrando mais ainda a arte-educação. São as “ONGuinhas de arte”, que vivem “pipocando” em tudo que é lado, basta o “fulaninho-de-tal” pintar palitos de sorvete e colar de forma “bonitinha” que, pronto, “vira” arte-educador...

 

Sei que existe gente bem séria fazendo ótimos trabalhos, mas existe também, como em qualquer lugar, gente nada-séria se aproveitando do fato do termo “estar na moda” para ganhar dinheiro às custas dos desavisados.

 

Para aprender Arte, DIREITO, consulte um Arte-Educador!

 

 

Enquête feita pela Revista Digital Art& aos visitantes do site entre outubro de 2005 e abril de 2006.

Enquête feita pela Revista Digital Art& aos visitantes do site entre outubro de 2005 e abril de 2006.

Página 71 dos Parâmetros Curriculares Nacionais, Livro 1, Introdução aos PCN

 

Jurema L. F. Sampaio-Ralha é Professora universitária da disciplina “Desenvolvimento da Educação Através da Arte”, no curso de Pedagogia e das disciplinas “História da Arte” e “Direção de Arte” nos Cursos de Propaganda e Marketing e Publicidade e Propaganda da UNIP, Campus Jundiaí. Arte-Educadora, com licenciaturas curta e plena em Artes Plásticas, pela PUC Campinas; Especialista em Ensino de Arte também pela PUC Campinas e Mestre em Artes Visuais, com pesquisa sobre uso de Realidade Virtual por VRML para EaD em Artes Visuais - ju.sampaio@gmail.com

 

 

 

(Está autorizada a reprodução destee texto. Solicita-se que a fonte seja mencionada e linkada).

 

 

 

21/09/2006

 

Do(a) Colaborador(a)

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Comentários

simony lúcia dos santos
symonysantos@hotmail.com
Gostaria de receber mai informações sobre o tema: arte educação.



Marcelo
mar38a@hotmail.com
Ser arte-educador, não é simplesmente ser professor de artes não ! Conheço muitos professores de artes que são meros aplicadores de técnicas. Mesmo a metodologia triangular da Ana Mae seguida como modelo, fecha a possibilidade de trabalho, amarrando o processo de construção criativa e conceitual, por leituras e propostas presas apenas aos artistas e suas obras. E trabalhar a partir de um olhar condicionado por um método é restringir o processo criativo. A ideologia subverte a consciência.. e gerar conceitos novos equivale a uma pesquisa perceptiva e sensorial. Cada obra de arte é criada no seu tempo por necessidades suscitadas pela época.Um olhar investigador será mais educativo do que seguir apenas as placas semiológicas de caminhos já percorridos.Vivemos num mundo complexo de informações e existe um número imensurável de materiais e linguagens a serem investigadas. Inaugurar propostas é o caminho para reverter os simulacros impostos pelo poder do mundo capitalista e a sociedade de consumo. Mesmo lidando com a alta-cultura, é preciso ir além do consumo de cultura, precisamos aprender e ensinar a criar culturas. Acredito e defendo diferente de você, não uma simples terminologia que categoriza uma classe, como teatro-educador, arte-educador..ou o que o valha. Pois o que é mais importante é a ação educativa, sem rótulos nem emblemas.. E é preciso considerar cada caso como um caso, sem generalizar... sou supervisor de uma escola que se propõe a trabalhar a educação pela arte em todas as áreas do conhecimento. Não ficando restrito a disciplina de Artes. O processo de construção de teias de descobertas, tecituras cognitivo-corpóreo-sonoro-emocionais onde não são priorizadas apenas a fala, a leitura gráfica e a escrita... mas todos os materias disponíves e formas capazes de serem experimentadas e experienciadas no processo de transformação da aprendizagem, através da reelaboração dos códigos expressivos da arte-educação ( um termo reduntante , pois arte em si já é educação ). E viva os artistas-educadores com ou sem a chancela das licenciaturas, muitas destas caducas e ultrapassadas, ainda formando professores para atuar numa escola e num mundo que não existe mais. Que venham as metamorfoses ambulantes! E não as velhas opiniões formadas sobre tudo... ( Raul Seixas ). Um abraço Marcelo Sampaio



Lanuzia Oliveira
lanuzialiveira@hotmail.com
Gostaria de receber mais informações sobre o assunto ARTE-EDUCAÇÃO. Isso porque irei iniciar um curso de pós-graduação em arte-educação, sem ter cursado uma graduação antes. Sou sergipana e em meu estado, infelsmente,não dispomo do curso em quetão. Como minhas dúvidas são muitas, encotrei em sua fala, as respostas para alguns grilos pendentes em minha cabeça. Agradecida.



tania
taniabrasil@ig.com.br
para monografia



priscila
priscila_atie@yahoo.com.br
Ola, Sou professora de ingles e gostaria de entrar no campo da arte educação, queria saber sobre cursos de graduação ou especialização que eu poderia estar fazendo, e onde encontra-los Obrigada Priscila



claudia rego
anaclaudia.rego@itelefonica.com.br
Sou formada em Des. Industrial pela fac. de Belas artes de SP. Gostaria de saber se fazendo uma pós em arte e educação estarei habilitada para lecionar nesta area.



valmir Batista DA Silva
valmirbsilva@ibest.com.br
É muito rico poder encontrar pessoas interessadas na qualidade de uma intervensão com propositos de promover a eficiência de uma ação, não apenas uma ação envolta no despreparo, para cumprir um programa. Esse texto que aborda a Arte Educação, é muito peertinente pois sinaliza para a necessidade de existir um saber fazer, que respeite objetivos e metas, é impossivel e inadimissivel que pessoas que não se apropriaram de um conhecimento teóico e prático venha exercer uma função na qual ela não se preparou, não domina o assunto , e vai por ensaio e erro exersendo um cruel papel, sabe a que eu comparo tal realidade? a pessoa que não toca piano e vai ensinar tocar piano. socorro... um artigo como esse que trata de uma realidade relacionada ao ensino da Arte no Brasil é um sinal de esperança que as pessoas venham a utilizar a Arte com responsabilidade não apenas como um negócio da moda do momento que da Mídia. Um artigo como esse reacende o ânimo de acreditar que um dia poderá ser diferente.Eu acredito na Arte como um remédio, e por ser um remédio tem que ser maipulado com responsabilidade, com metodologias eficiente e testadas, para que não cause efeito contrário ao invés de curar pode causar danos inreparáveis. Se o medicamento não for oferecido em um contexto receptivel, acolhedor, não tolhedor,envolto em muita democracia, numa, atmosfera terapeutica.Meu nome é Valmir Batisa da Silva sou Psicologo e pesquiso a Arte como instrumento de estimulação neuropsicomotora de pessoa com paralisia cerebral , com objetivos de desenvolver a neuroplasticidade. Eu compactuo com sua denuncia pois existe muitos desavisados que acham que é só dar argila para uma pessoa que ela se desenvolve e esquecem que as mediqações simbólicas são necessária e que a afetividade é o combustivel principal, juntamento com o saber prático e teórico, parabéns pela sua diposição de denunciar e ensinar os aventureiros aquilo que deveria ser o oóvio.



valmir batisa da silva
valmirbsilva@ibest.com.br
gostaria que por gentielaza me enviasse o comentário que eu fiz para o meu endereço,pois gostaria de te-lo muito obrigado



Cristina
cris@ig.com.br
Marcelo Sampaio, Você está completamente equivocado, se acha que QUALQUER UM pode ensinar Arte sem conhecimento ou formação. Seria o mesmo que afirmar que um professor analfabeto pode ensinar alguem a escrever, porque a arte também é uma linguagem. Retrógrado é você, sua opiniao revela que com certeza você NAÃO É ARTISTA, NÃO ENTENDE DE ARTE, E NÃO SABE ENSINAR ARTE ... E claro não tem a humildade de aceitar isso... Por isso pense melhor antes de falar OK? Abraços Cris



ligia
devittoalmeida@gmail.com
oi,sou professora de educação física recem formada,e estou estudando muito os pcns para futuros concursos.Gostaria de algumas indicaçãos de livros que contenham os pcns completos. obrigada



Aline Quintana
aline_quintana@hotmail.com
Olá , tudo bem , sou acadêmica de artes visuais , estou elaborando uma pesquisa sobre a situação dos professores leigos ou formados em qualquer outra área atuando na área de arte-educação, e , como anda a situação da formação de professores capacitados p/ lecionar, a quantidade de arte-educadores formados, as faculdades , tanto daqui do estado do Mato Grosso do Sul, quanto do Brasil. Navegando pela internet, buscando informações , conheci o site da arscientia, e pude ler sua opinião sobre o assunto , logo depois achei seu site , onde achei seu email , e , agora estou aqui.. Antes de qualquer coisa , gostaria de dizer , que sinceramente , achei o seu texto magnífico , sabe porque , tudo oque eu acho esta ali, foi como se vc tivesse tirado as palavras da minha boca. Realmente achei fantástico, pelo fato do assunto estar sendo tratado com tanta importância , como deve ser devidamente tratado, gostei tanto , que levei até meus colegas do curso , para expor mais uma opnião, e todos adoraram, pois cada um de nós , sabe como é dificil essa luta . Mas , voltanto ao meu propósito, gostaria de um ajuda e que m mandasse alguma opnião, ja que você já tem uma vasta experiência no assunto , se puder me ajudar para que eu possa elaborar meu projeto , agradeço desde já.



lygia rejane lima
lygiarejane5@hotmail.com
Jurema, li seu texto e venho solicitar uma ajuda , estou cursando a pós-graduação em metodologias do ensino das artes e tenho como tema do meu projeto o pérfil didático pedagógico do arte educador de escola pública: estudo comparativo entre a visão de ana mae barbosa e joão francisco duarte junior. estou com dificuldades de obter informações sobre o joão francisco duarte, você tem algum material? agradecida.



Marcelo Sampaio
mar38a@hotmail.com
Cristina percebo que é mera reprodutora discursiva das idéias e conceitos gerados pelos outros, esta incluida num meio de tantas que é apenas mais uma sem identidade.Talvez nem saiba nada de simulacros, nem de sistemas. Baseia-se em leituras de manuais de artes e técnicas acadêmicas. Não tem a noção da evolução do homo sapiens para o homo sapiens sapiens demens virtualis. e dos novos estudos da neuroplasticidade cerebral..falei de terminologias que geram discussões conceituais.. e o correto seria o artísta-educador é mais que ser um mero professor aplicador de técnicas de artes..nisso posso chamar a atenção da diferença entre educação para arte e educaçãp pela, esta defendida por mim no comentário anterior. Que bom que as opiniões são diferentes ! A minha é essa...rs



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2º Efeito estufa e aquecimento global
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6º Experimentando as Letras Hebraicas
7º Uma leitura de Leonardo da Vinci
8º sob o arco-íris
9º Ano Internacional da Física e a Historia da Ciência
10º O Calendário Judaico

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